Sobre Finanças Pessoais e o hábito de poupar

Sobre Finanças Pessoais e o hábito de poupar

09/09/2015

Quando eu era pequeno eu não entendia nada de finanças. Nada mesmo.

Às vezes queria algum brinquedo e pedia a meus pais. Minha mãe logo respondia que não tínhamos dinheiro.

Inocentemente eu dizia para pagar em cheque.

Há também um caso famoso do ex jogador Índio, lateral do Corinthians. Um dia ele foi ao banco e seu gerente lhe informou que sua conta estava negativa. Esta informação lhe causou revolta. Afinal ele ainda possuía duas folhas de cheque no talão....

O que quero exemplificar nestes dois “causos” é a superficialidade do nosso conhecimento ao lidar com o dinheiro.

Nos últimos anos tenho observado uma vasta gama de produtos financeiros lançados no mercado e somando-se aos investimentos já conhecidos.

Mas antes de falarmos de renda fixa x renda variável, poupança x tesouro direto ou se é hora de voltar a comprar ações da Petrobrás, é necessário fazer algumas perguntas para a pessoa que vemos na frente do espelho.

O quanto eu consigo poupar mensalmente?

É possível reduzir minhas despesas?

Minha família me apoia? E eu? Apoio minha família?

Como eu crio o hábito de poupar dinheiro?

A princípio parecem perguntas simples de serem respondidas mas são elas que de fato definirão o quanto, como e por qual motivo eu devo trabalhar o hábito de poupar dinheiro.

O Quanto eu consigo poupar mensalmente está diretamente ligado a abrir mão de um prazer imediato em prol de um bem futuro. Seja esse bem uma viagem, um bem durável ou mesmo a aposentadoria. E esse “abrir mão” de um prazer imediato é relacionado a sacrifícios. Sacrifícios como andar de ônibus ou a pé por mais alguns meses, deixar de ir no cinema em um final de semana ou até mesmo aquele churrasco com os amigos tenha de ficar para depois.

Sobre a redução de despesas, talvez este seja o ponto mais sensível deste autoquestionamento. Quando estamos condicionados a certo padrão de vida, fica difícil deixar de lado o gosto por bons restaurantes, baladas intermináveis, celulares da moda, roupas de marca, entre tantas outras coisas. Creio que a abordagem ideal para este ponto seja dividida em duas frentes. A primeira frente destina-se à redução imediata dos pequenos gastos. Aqueles que mal percebemos. Uma tarifa de banco elevada, juros de cartão de crédito e cheque especial. A taxa de administração dos diversos cartões de lojas disponíveis às centenas em qualquer caminhada no shopping. A outra frente e talvez a mais dolorosa para aqueles que estão condicionados ao consumo, seja estabelecer um orçamento mensal para gastar consigo mesmo. Todo o consumo, baladas, roupas... ...até mesmo o cafezinho na padaria deve caber dentro deste orçamento. E não preciso dizer que este orçamento deve ser menor que seu salário.

Quando falamos em poupar e, conforme abordado acima, alguns sacrifícios são fundamentais, porém muito compensadores como veremos daqui a pouco, mas não podemos falar de sacrifícios, sem falar em nossa família. É fundamental a participação da família na projeção do orçamento doméstico. Assim como é fundamental a participação de todos os membros da família no projeto de poupar dinheiro. Do mais jovem ao mais velho, sem exceção!

Estudos realizados pela OCDE mostram que jovens que tiveram contato com a educação financeira desde a infância, tendem a lidar melhor com a gestão do capital.

Finalmente, vamos falar sobre o hábito de se poupar dinheiro. Em outras palavras, vamos aprender as primeiras letras para que num futuro próximo, possamos ler toda a coleção das “Crônicas de Gelo e Fogo”, ou ”Harry Potter”, ou mesmo ”Cinquenta Tons de Cinza”, por que não?

Gosto de usar a metáfora da leitura pois é importante, antes de falarmos de investimentos mais robustos, criarmos o hábito de poupar, ou seja, devemos nos familiarizar com a poupança para depois subirmos a degraus mais elevados.

Para criar este hábito eu proponho o seguinte desafio (E esta é uma dinâmica excelente tanto para adultos quanto para crianças).

Tentem poupar R$ 1,00 esta semana, na próxima, poupem R$ 2,00. Está fácil? Vamos dificultar!

Na terceira semana, poupem R$ 3,00 e continuem até a 52ª semana, onde vocês deverão poupar R$ 52,00.

Este desafio das 52 semanas pode ser feito a partir de R$ 0,10, R$0,50. O foco aqui é criar o hábito de poupar dinheiro.

Tente guarda-lo em algum lugar, um cofre desses de porquinho pode ser uma boa pedida para a criançada. Claro que, como elas não trabalham, seria interessante aos pais e responsáveis propor certas atividades para que eles façam por merecer aquele dinheiro. Guardar seus brinquedos, ajudar a guardar a louça, arrumar a cama..... ....enfim, neste ponto a criatividade é a melhor solução.

Ah, já ia me esquecendo. Quanto será que vou ter acumulado se eu fizer esta poupança progressiva?

 

Pois é... ...começando esta semana, desconsiderando qualquer produto financeiro no mercado, ao final de 52 semanas, ou 12 meses, temo R$ 1378,00... ...começando apenas com R$1,00.

Então comece hoje mesmo e garanta já a sua viagem no feriado do próximo 7 de setembro!!!

 

Até mais!