Efeito Borboleta e Finanças Pessoais

Efeito Borboleta e Finanças Pessoais

04/10/2016

Quando assisti ao filme efeito borboleta eu fiquei impressionado em como decisões simples podem mudar completamente o rumo de nossas vidas no futuro. O atravessar uma rua, acessar um site, assinar um contrato. Situações aparentemente banais podem dar um novo rumo às nossas vidas.

Ao lidarmos com as Finanças Pessoais, muitos aspectos podem se relacionar diretamente ao conceito de efeito borboleta, mas com uma pequena diferença. Em finanças essas mudanças de rumo são previsíveis e mensuráveis.

Tomemos como exemplo uma pequena compra por impulso. Uma lata de refrigerante no almoço.

Entre segunda e sexta-feira a rotina do escritório é quebrada por uma hora de liberdade, onde podemos comemorar um contrato fechado com um almoço à altura, podemos apertar o vale-refeição com um simples Prato Feito, podemos até trazer algo saudável de casa, mas entre comemorações, mágoas e objetivos, normalmente há uma grande companheira enfeitando quase que de forma artística as mesas de restaurantes e lanchonetes de todo o Brasil. A lata de refrigerante. Considere que todos os dias você pague R$ 3,50 por sua fiel companheira e vamos considerar ainda que você trabalhe de segunda a sexta feira, 11 meses por ano (afinal, todos merecem um mês de férias).

Vamos também julgar que esta compra é feita de forma automática, sem pensar. Talvez você nem goste de refrigerante, mas a lata está religiosamente a seu lado, todos os dias.

Bom, R$ 3,50 multiplicado por 5 dias úteis resulta em um gasto semanal de R$ 17,50. Em um mês o gasto pula para R$ 70,00. Ok, até aí é aceitável, mas vamos lembrar que talvez você nem goste de refrigerante. E não gostando tanto de refrigerante, você bebe em média 2/3 da lata em cada almoço. Só aí você já tem 1/3 desta grana no ralo, certo?

Se você já está reconsiderando seu acompanhamento diário do almoço, lembre-se que trabalhamos em média 11 meses ao ano, o que nos dá um gasto total de R$ 770,00 EM REFRIGERANTE!!

Entendo que muitos dirão que não aceitam abrir mão da companhia do refrigerante todos os dias, dirão inclusive que é absurdo usar como exemplo, a compra de uma bebida para a hora do almoço.

Sim, concordo que propor uma mudança de vida a partir de um gasto diário de R$ 3,50 pode parecer algo absurdo em um primeiro momento, mas quantos gastos simples e aparentemente irrisórios nós fazemos todos os dias? Quantas vezes deixei de realizar algum objetivo (que inclui capital monetário) por não ter dinheiro? Quantas oportunidades de negociação eu já perdi pois tive de aceitar a compra à prazo ao invés de abraçar a oportunidade de negociar à vista justamente por não ter o dinheiro em mãos?

Uma das principais premissas da Alfabetização Financeira está em abrir mão de pequenos prazeres no presente para a realização de grandes metas futuras. E este futuro pode ser de curto, médio e longo prazo, ou ainda aquela aposentadoria tranquila.

A Alfabetização Financeira começa com o pensar. O respirar fundo antes de fechar qualquer compra. A autocrítica ao nos olharmos no espelho e dizermos: Preciso mesmo comprar isto? Quantas oportunidades de realizar grandes negócios eu já perdi por estar sempre comprometido com parcelas, juros, compras por impulso e uma completa desorganização financeira?

Enfim, o efeito borboleta nos leva a um questionamento sobre onde estaríamos hoje se tivéssemos tomado decisões sobre financiamento/investimento diferentes no passado e, com o conhecimento adquirido, este mesmo conceito se aplica para que tenhamos um maior controle de nosso futuro.

Um abraço,

Marcos Milan