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Canadá inicia vistos digitais: o que muda para viajantes

A partir de 31 de dezembro de 2018, brasileiros entre 14 e 79 anos precisarão fazer a coleta de impressões digitais na hora de tirar o visto canadense

O Canadá deu início a uma das mudanças mais importantes dos últimos anos em seu sistema migratório: a implementação dos vistos digitais. A novidade faz parte de um projeto-piloto lançado pelo Ministério da Imigração, Refugiados e Cidadania (IRCC) para modernizar, agilizar e tornar mais seguro todo o processo de entrada no país.

A transição para documentos digitais não é apenas uma atualização tecnológica — ela representa uma transformação profunda na forma como o Canadá gerencia suas fronteiras e se relaciona com viajantes e futuros residentes.

A seguir, entenda o que está mudando, como o piloto funciona e quais são os impactos diretos para brasileiros.

Por que o Canadá está migrando para vistos digitais?

O principal objetivo do IRCC é simplificar a experiência do viajante e fortalecer a segurança migratória. Com o visto digital, o processo se torna mais eficiente e previsível, eliminando etapas manuais que costumam gerar atrasos e insegurança.

Com essa inovação, viajantes deixam de enviar seus passaportes pelo correio ou apresentar o documento fisicamente para emissão do visto. Tudo passa a acontecer de forma digital, reduzindo riscos de extravio, custos e tempo de espera.

Além disso, o governo canadense reforça que o sistema segue padrões internacionais rigorosos de privacidade e proteção de dados, o que permite futuras integrações com sistemas migratórios de outros países.

Como funciona o projeto-piloto?

A fase inicial do piloto está sendo testada com um grupo limitado de cidadãos do Marrocos, escolhidos como país pioneiro. Esses viajantes, já portadores de um visto de visitante válido, receberão uma versão digital complementar ao adesivo tradicional no passaporte.

Essa etapa permitirá que o IRCC observe:

  • como os viajantes utilizam o novo formato,

  • quais pontos geram dúvidas,

  • como o sistema se comporta em cenários reais,

  • e quais ajustes são necessários para expansão global.

Os resultados desse teste definirão o ritmo e o formato de implementação para outros países, incluindo o Brasil.

E a eTA? Regras seguem valendo

A Autorização Eletrônica de Viagem (eTA) continua disponível para cidadãos de 15 países, incluindo marroquinos, desde que cumpram três requisitos simultâneos:

  1. Ter tido um visto canadense nos últimos 10 anos ou possuir visto americano de não imigrante válido;

  2. Viajar ao Canadá para estadias temporárias de até seis meses;

  3. Chegar por via aérea com passaporte válido de um país participante.

Quem não cumpre essas condições ainda precisa solicitar o visto tradicional — ou, futuramente, o visto digital.

Impactos diretos para o Brasil

Embora o Brasil ainda não esteja na fase piloto, a mudança tem impactos imediatos e abre portas importantes no médio prazo.

1. Emissão de vistos mais rápida

A digitalização tende a reduzir filas, atrasos e burocracias — problemas frequentes entre brasileiros que aplicam para estudar, trabalhar ou visitar o Canadá.

2. Facilitação de viagens e negócios

Com processos mais ágeis, a tendência é de que cresça o fluxo de turistas, estudantes e profissionais entre os dois países.

3. Segurança reforçada

Os sistemas digitais permitem um controle mais eficiente contra fraudes e irregularidades migratórias, protegendo tanto o Canadá quanto viajantes brasileiros.

4. Inspiração para o Brasil

O movimento canadense reforça a necessidade de modernização também nos sistemas migratórios brasileiros, especialmente diante do aumento de viagens internacionais e eventos de grande porte.

O futuro dos vistos é digital

A implementação dos vistos digitais coloca o Canadá na dianteira de uma tendência mundial: a modernização das fronteiras e da mobilidade internacional. Ao priorizar segurança, eficiência e experiência do usuário, o país cria um modelo que outros governos deverão seguir nos próximos anos.

Os resultados do piloto com viajantes marroquinos servirão de base para a expansão global do programa — e é apenas questão de tempo até que brasileiros também sejam incluídos nessa nova modalidade.

O caminho está traçado: o processo de imigração será cada vez mais digital, rápido e integrado, beneficiando viajantes, empresas e governos.

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Texto: Guilherme Soares Dias, com edição de Julio Simões
FonteGoverno do Canadá